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Logística na Construção – Reflexões para o futuro?
2011-09-13

O sector da construção civil e obras públicas corresponde a cerca de 5% do PIB Português. De que forma os profissionais da logística devem actuar para melhorar a eficiência das empresas de construção em Portugal?
Primeiro, podemos participar activamente no desenvolvimento e design do produto, de modo a contribuir com melhores técnicas de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos. Senão, vejamos o exemplo do IKEA, onde o design do produto tem em consideração um conjunto de factores, como a embalagem e acondicionamento para transporte, entre outros.
Podemos utilizar novas abordagens na construção, como a utilização de outros materiais mais benéficos para o ambiente, por um lado, e mais eficientes no transporte, manuseamento e aplicação, por outro. Podemos desenvolver métodos construtivos que nos permitam ser mais rápidos e eficientes no momento da montagem, por exemplo a utilização das placas de fibrocimento nos revestimentos. Com isto, ganhamos vantagem competitiva perante os nossos concorrentes que ainda utilizam métodos antigos de construção.
A título de exemplo, vejamos o projecto que as empresas Skanska e IKEA desenvolveram em parceria, chamado Boklok, onde o principal objectivo era o desenvolvimento e a produção de habitações de baixo custo. Este projecto consistia em desenvolver um produto standard, que permitisse ser produzido em grande escala em fábrica e que fosse facilmente transportável e rápido de montar. Com isto, obteve-se uma redução considerável no custo das habitações. De referir, que este projecto, inicialmente desenvolvido na Suécia, já se expandiu para outros países, como sendo a Finlândia, Dinamarca, Noruega e Reino Unido.
Porque não desenvolver habitações onde todos os painéis interiores sejam facilmente e rapidamente instalados, tipo peças de LEGO? A LEGO desenvolveu um conceito que deve ser uma inspiração para todos nós, ou seja, utilizar peças standard para fazer conjuntos completamente diferentes. Porque não utilizar esse conceito no sector da construção? Porque não utilizar o mesmo painel para a parede da sala e para a parede do quarto? É tudo uma questão de design do produto.
Porque não desenvolver habitações onde a sua eficiência energética seja um dos principais objectivos, com a introdução de novos materiais que permitam ser aplicados de forma rápida e eficiente?
Vamo-nos focar na realidade portuguesa. Porque não pensar na construção de uma habitação de outra forma? Uma solução tal, que permita reduzir os custos de transporte dos materiais, quer acabados, quer em bruto, e que permita uma maior eficiência na montagem das diversas secções da mesma?
Aquando do desenvolvimento e design de uma habitação, o objectivo deve passar por obter o menor custo final da obra, com benefícios óbvios para o cliente. O conceito e a metodologia tradicional de construção já não se coaduna com a realidade do mercado, onde o cliente espera a melhor qualidade construtiva, ao mais baixo preço. As empresas devem repensar as suas estratégias e desenvolver os conceitos de mobilidade, de rapidez e de integração com o meio envolvente.
A logística associada a esta evolução no pensamento construtivo deve ser uma das impulsionadoras deste movimento, muitas vezes associado ao “Lean Construction - Maximize Value and Minimize Waste”, ou seja, maximizar o valor e minimizar o desperdício, algo que já se encontra bastante desenvolvido noutros países. Em Portugal, irá demorar algum tempo até que se incorpore os conceitos “Lean” nas actuais práticas construtivas, de forma a maximizar o valor total obtido e a minimizar o desperdício. Este desperdício pode ser encarado nas suas diversas vertentes: desperdício de tempo, por exemplo, um equipamento parado à espera da chegada de algum outro equipamento ou de material construtivo; desperdício no transporte, onde os conceitos de “Procurement” e “Sourcing” devem ser aplicados com o maior rigor e eficiência, para que se minimizem movimentações desnecessárias dos materiais e se obtenham ganhos significativos nas movimentações dos veículos; desperdício no design do produto, com aplicações de técnicas construtivas eficientes, de aplicação imediata e que permitam ao construtor não necessitar de fazer trabalhos adicionais, que acarretam custos para o cliente final, como por exemplo, a aplicação de placas de gesso cartonado no interior das habitações, ou então ir mais além e trazer a própria parede montada e apenas encaixar no local, tipo bloco de LEGO?
O que nós, como profissionais da logística, podemos fazer para melhorar a competitividade dessas empresas? Podemos incentivar a utilização de veículos mais energeticamente eficientes? Claro que sim. Podemos incentivar a melhoria das cargas e acondicionamento dos materiais nos veículos? Claro que sim. Podemos preparar e planear os transportes dos materiais e equipamentos, para que se percorra a menor distância e que se utilizem as estradas com menores declives? Claro que sim. Mas será isto suficiente? Claro que não!!!
Devemos ter voz activa no momento do desenvolvimento, engenharia e design do produto, para que o projecto possa ser feito no sentido de melhorar a eficiência aos níveis da engenharia e da logística. Devemos ter voz activa no planeamento urbano para que as obras sejam feitas todas de uma só vez. Qual o sentido de fazer um conjunto distinto de obras (por exemplo, saneamento, telecomunicações, fornecimento de energia, entre outros), no mesmo espaço, num intervalo de tempo relativamente curto, sem que haja a menor coordenação dos trabalhos entre eles? Todas estas questões aqui abordadas podem e devem ter um contributo válido dos profissionais da logística na indústria da construção.
Nós, enquanto profissionais da logística, estamos orientados para minimizar tempos de espera, espaços vazios, distâncias percorridas em vazio, etc. Então, também podemos e devemos utilizar a mesma metodologia de trabalho para melhorar as formas de actuação das empresas de construção em Portugal. Só assim, é que podemos ser competitivos neste mercado global, onde já nos deparamos com a concorrência de outros mercados europeus e de outros potenciais, nomeadamente o asiático. Convém estar atento!!!

Tiago Pinho
Docente e Coordenador de Curso de “Gestão da Distribuição e Logística”
Escola Superior de Ciências Empresariais de Valença
Instituto Politécnico de Viana do Castelo

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